Tudo sobre os estados dos empréstimos e procedimentos associados

Caro Investidor,

A Raize é uma bolsa de empréstimos onde são as pessoas que emprestam diretamente às empresas. O papel da Raize é criar oportunidades de empréstimo, procurando um equilíbrio entre investidores e empresas. Também é o papel da Raize, conduzir e apoiar todo o processo do empréstimo, desde do momento em que este é analisado, até ao momento em que este é totalmente repago, ou se torna necessário desenvolver diligências de recuperação.
Todas as fases do empréstimo são igualmente importantes para a Raize, sendo que o nosso objetivo último é sempre proporcionar, dentro do que está ao nosso alcance, um ambiente de investimento e financiamento benéfico para todas as partes.

Emprestar a micro e pequenas empresas pode ser um excelente investimento, tanto para a sua carteira como para a economia. Um dos princípios de investimento mais importantes, e que procuramos promover ativamente junto da comunidade de investidores, é o princípio da diversificação dos investimentos. Uma boa diversificação da sua carteira assegura que as eventuais perdas de capital de uns empréstimos possam ser compensadas pelos juros recebidos de outros. Por isso, quando investe em empréstimos, é muito importante que tenha a sua exposição bem espalhada por várias empresas, para evitar riscos de concentração que possam levar a perdas desproporcionais na sua carteira.

Neste artigo, abordamos em maior detalhe a temática dos atrasos no pagamento de prestações e do incumprimento contratual de empréstimos, assim como os procedimentos adotados pela Raize na gestão e recuperação dos mesmos.

Resumo da atividade de cobranças dos empréstimos realizados (última atualização: 30 de Junho de 2017)

Até à data, foram realizadas mais de 2,745 cobranças de prestações junto das empresas, no valor de 2,5 milhões de euros, das quais 27 estão atualmente em atraso. O montante em atraso representa cerca de 0.97% do total de cobranças realizadas, e um total de 24,4 mil euros. Encontram-se em incumprimento 7 empréstimos, no valor total de capital de 63,3 mil euros, o que representa uma taxa de incumprimento de 1.58%. A tabela em baixo apresenta um resumo das estatísticas de cobrança e recuperação para os empréstimos realizados.

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Sobre os estados dos empréstimos e procedimentos de cobrança e recuperação associados

Recomendamos uma leitura sequencial das seguintes questões frequentes

1. Como é que as empresas pagam as prestações?

Todos os empréstimos obtidos através da Raize são empréstimos amortizáveis e que pagam uma prestação mensal (que inclui uma parte de capital e uma parte de juros). Isto significa que todos os meses é cobrada uma prestação diretamente na conta bancária da empresa, e por via de uma instituição de pagamentos devidamente autorizada para o efeito. As datas de cobrança são definidas na altura em que o empréstimo tem início.

2. Fiquei com uma prestação em atraso. O que aconteceu?

O facto de uma prestação ter ficado em atraso significa que a empresa não dispunha de saldo suficiente em conta para efetuar o pagamento no dia em que a cobrança foi efetuada.

3. Quais as principais razões para uma empresa não ter dinheiro na conta para pagar a prestação atempadamente?

As razões variam de empresa para empresa, mas entre as razões mais apontadas encontram-se:

  • Atraso no recebimento de clientes: em Portugal, muitas empresas (incl. grandes empresas e empresas ligadas ao Estado) ainda atrasam muito o pagamento a fornecedores, criando dificuldades de tesouraria em cadeia.

  • Redução de atividade e/ou perda de cliente(s): as empresas também podem atravessar períodos de maior dificuldade devido à perda de um grande cliente ou redução generalizada do nível de atividade.

  • Encargos elevados e inesperados: algumas empresas podem ser surpreendidas com encargos elevados pontuais e inesperados que afetam a tesouraria da empresa e reduzem o saldo em conta.

  • Falhas técnicas ligadas ao sistema de pagamentos: problemas com o funcionamento das contas das empresas ou na execução da cobrança/transferência da prestação devida.

4. Quando é que são pagos os juros de mora referentes às prestações pagas em atraso?

Os juros de mora devidos aos investidores são pagos na totalidade no final do empréstimo.

5. Vou ter custos pelo facto de uma empresa não pagar a prestação atempadamente?

Não. Todos os custos adicionais relacionados com atrasos no pagamento de prestações são imputados à empresa.

6. Uma empresa que tem uma ou mais prestações em atraso está necessariamente em incumprimento contratual?

Não. O incumprimento contratual está associado aos termos do contrato de mútuo celebrado entre a empresa e o investidor. O facto de uma empresa se atrasar no pagamento de uma prestação não significa que a mesma esteja em incumprimento contratual.

7. Quando uma empresa se atrasa no pagamento de uma ou mais prestações, isto significa que vou perder o meu capital?

Não necessariamente. Atualmente, mais de 80% das prestações que ficam em atraso são regularizadas atempadamente.

8. O que faz a Raize quando uma empresa se atrasa no pagamento de uma prestação?

Quando uma empresa se atrasa no pagamento de uma prestação, a Raize entra imediatamente em contacto com a mesma a dar conta do sucedido e a solicitar a sua pronta regularização. Esta comunicação é realizada por email e seguida de contacto telefónico com os gerentes / administradores da empresa.

Caso a empresa não regularize a sua situação, a Raize permanece muito ativa no contacto com a mesma (várias vezes durante a semana) através de email, telefone e carta registada. As interações da Raize visam informar a empresa do sucedido, alertar para as consequências de não pagamento (custos adicionais, impossibilidade de aceder a futuros financiamentos, ações judiciais) e pressionar para a regularização dos montantes em falta.

Assim que o pagamento é efetuado por parte da empresa, o mesmo é sinalizado aos investidores através da plataforma e por email.

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9. O que acontece quando uma empresa não paga várias prestações e entra em incumprimento contratual? O que faz a Raize?

Quando uma empresa entra em incumprimento contratual, a mesma é formalmente notificada pela Raize da sua situação por carta registada. Este passo é importante pois é requerido por lei e sem o mesmo não poderão ser tomadas outro tipo de ações. A partir daqui, a Raize procura aferir sobre o montante esperado a recuperar da empresa. Este valor varia de empresa para empresa e depende (entre outros fatores) da atividade, ativos, garantias e passivo geral de cada empresa e sócios/administradores.

Caso haja possibilidade de recuperar parte ou a totalidade do montante em dívida e caso o mesmo seja suficiente para ressarcir os investidores e cobrir todos os custos associados (por exemplo com solicitadores, advogados ou tribunais), a Raize promoverá uma única ação conjunta entre todos os investidores.

No âmbito desta ação conjunta, a equipa da Raize procurará sempre recuperar o máximo do montante em dívida no menor espaço temporal possível. Isto pode implicar, em certos casos, estabelecer acordos de pagamento judiciais e/ou extra-judiciais com as empresas, com o objetivo de criar condições para as mesmas resumirem os pagamentos regulares aos investidores. Estes empréstimos recuperados serão classificados na banda R.

10. O que acontece quando uma empresa solicita um PER?

O “PER” (Processo Especial de Revitalização) é um processo especial regulado pelo Código da Insolvência e da Recuperação de Empresas (CIRE) que tem como objetivo ajudar uma empresa a definir, juntamente com os seus credores, um plano para restruturar o seu passivo de forma ordenada e concertada, com vista a salvaguardar a sua sustentabilidade financeira e económica a longo-prazo.

Durante o PER, a empresa e os seus credores procuram aprovar um plano de revitalização que assegure o pagamento integral de todos os compromissos da empresa, ainda que com uma estrutura de pagamento diferente. Caso um plano de revitalização não seja aprovado, a empresa poderá entrar em insolvência. O cenário final dependerá da negociação direta realizada entre a empresa e os credores. A Raize representa os investidores nestas negociações.

A abertura de um PER suspende todas as cobranças por parte de credores. Um PER pode demorar até 6 - 9 meses a ficar concluído (podendo em certos casos ser superior). Um empréstimo com um PER aprovado será classificado na banda R (empréstimos recuperados).

11. Vou ter algum custo relacionado com a recuperação extra-judicial e judicial do capital investido?

Não. Todos os custos incorridos e relacionados com as ações de recuperação judicial e extra-judicial do empréstimo serão imputados à empresa.

12. O meu empréstimo tem uma garantia pessoal do representante legal. Quando e como é que esta garantia é acionada?

Há empréstimos onde uma garantia pessoal é solicitada como forma de reforçar o compromisso de reembolso de um determinado empréstimo. Esta garantia pessoal, dada pelo representante legal da empresa e prevista no contrato de mútuo, cobre a totalidade do valor em dívida e é acionável por mecanismos judiciais após incumprimento contratual por parte da empresa.

13. Como posso conferir o meu total de ganhos realizados na Raize?

Na sua área pessoal, seção de "histórico", pode conferir o seu total de ganhos realizados através da Raize. Este montante tem em consideração o total de crédito incobrável.

14. Não estou confortável que me paguem em atraso, com os procedimentos de cobrança/recuperação ou com o facto de poder vir a perder capital. O que devo fazer?

Emprestar a micro e pequenas empresas é um investimento de risco que pode resultar na perda total do seu capital. Apesar da Raize realizar os seus melhores esforços de análise e recuperação para todos os empréstimos, não é possível excluir o risco de atrasos nos pagamentos ou de perda de capital por parte dos investidores. Compete-nos por isso sinalizar que, caso não se sinta confortável com este perfil de risco de investimento, deve deixar de investir através da Raize.